O mundo seria melhor se: as pessoas fossem mais sinceras

14 Feb

Por: Pammy

Longe de mim querer ser caga-regras de comportamento. Cada um sabe com que tipo de personalidades convive e sabe como melhor tratar as pessoas ao redor. Mas de um modo geral acho que a transparência é o melhor modo de se construir e manter relações, sejam elas profissionais, sociais, sejam elas amorosas.

Todo mundo gosta de sinceridade. Eu, você, sua mãe, sua vizinha, seu chefe. Todo mundo gosta. E quando falo sobre sinceridade, falo sobre a sinceridade em seu mais puro estado: uma mistura de coerência, confiança e honestidade. Não estou falando daqueles indivíduos que usam a ‘sinceridade’ como arma para magoar e despejar suas frustrações nas pessoas, isso é sincericídio. Tem muita gente por aí que se esconde atrás do escudo da ‘SINCERIDADE EXTREMA’ para alfinetar as pessoas. Sinceridade não é isso.

É bom refletir se você sabe ser sincero ou se oculta o seu veneno (veneno que todos nós temos, não é algo necessariamente ruim) sob o pretexto da “desagradável verdade que precisa ser dita mas só eu tenho coragem porque sou o Senhor Sincerão”. Ser sincero é falar o que pensa com educação, com honestidade e no momento certo com as pessoas certas. Vou dar um exemplo:

Situação 1: Você está se preparando para sair com uma amiga muito próxima e de anos de convívio. Ela pede opinião sobre a roupa dela, que é de gosto muito duvidoso. O que você pode responder?
“HAHAHAHAHA, AI AMIGA, TÁ RI-DÍ-CU-LA ESSA ROUPA. TIRA ISSO AGORA, VAMOS PROCURAR OUTRA COISA NO ARMÁRIO. VEM LOGO! HAHAHA”.

Esse tipo de resposta, curta, objetiva, direta só pode ser dada pra alguém que você conhece bem, alguém que você sabe como irá reagir com a negativa. Essa resposta só é válida nesse momento de descontração, vocês estão indo se divertir. Você tem intimidade o suficiente para dar esse tipo de resposta e sugerir uma solução, rir junto com a pessoa nesta situação.

Situação 2: Agora vamos trocar os papéis. Em vez de ser uma amiga, é a sua chefe que te pede opinião sobre a roupa que vai usar numa reunião com os diretores da empresa. Você acha correto e educado responder da mesma maneira que respondeu à sua amiga? Eu acho que não, a não ser que sua melhor amiga seja sua chefe, mas o exemplo que peço para imaginarmos é uma chefe com a qual você tem uma relação estritamente profissional.

Você acha correto mentir e dizer que a roupa que ela veste, que molda o corpo dela e passa determinada imagem para o mundo, está boa? Eu também acho que não. O que você pode responder? A verdade! Com educação, honestidade e coerência. “Olha, acho que essa roupa não é a mais adequada pra hoje, viu?” Gestos de delicadeza, como apontar a parte da composição que você julga estar inviabilizando o visual, podem ajudar. “Acho que você deve trocar essa peça por algo assim”. “Essa roupa não ficou boa porque…”  Justifique!  Mostre e exemplifique o motivo pelo qual o visual da sua chefe não está legal. Crítica tem que ter fundamento para ser levada a sério.

Viu como sinceridade não precisa necessariamente magoar alguém? Ser sincero é antes de tudo ser sábio. Há maneiras e maneiras de expor suas ideias. Você não precisa ser direto e objetivo sempre, muito menos rude. Cada situação e local requer uma postura diferente.

Não dá pra você tratar seu chefe do mesmo jeito que trata um amigo íntimo. Não dá pra tratar o seu síndico da mesma maneira que você trata o seu filho. Mas sempre dá pra ser sincero e honesto com as pessoas que estão ao ser redor, isso evita futuras mágoas, futuras frustrações, futuras promessas não-ditas não-cumpridas.

Sempre deixe claro o que você gosta e o que não gosta, suas opiniões sobre as coisas, o que você faz e o que você não faz, resumindo: sempre coloque os pingos nos ‘is’. VOCÊ estará sendo honesto na relação. Se a outra pessoa não faz isso, paciência. Você está fazendo a sua parte. Você sempre terá na manga aquela carta de ‘eu avisei que não gostava disso’.

Se todas as pessoas fossem mais genuínas e honestas com seus próprios ideais, convicções e desejos o mundo seria MUITO menos amargo. Eu tenho absoluta certeza. Porque quando deixamos claro o que somos, como somos e o que gostamos, passamos de certa forma a atrair pessoas parecidas com a gente, e isso é tão bom!

O mundo seria melhor se: as pessoas soubessem ouvir críticas

13 Feb

Por: Zero

Aceitar críticas virou coisa de outro mundo. Isso porque as pessoas estão tão conformadas com a sua mediocridade que se contentam com o infantil consolo “é inveja”, ou pior ainda: tentam encontrar defeitos no crítico como se isso anulasse o motivo da crítica. Como se isso fosse uma justificativa.

Estive lendo um texto que denunciava as condições de um dos aeroportos do Rio de Janeiro e em resposta muitos cariocas publicaram comentários dizendo que a autora estava com inveja porque apesar dos pesares o Rio de Janeiro é conhecido como Cidade Maravilhosa. Outros comentários ainda diziam que a população do Rio de Janeiro era a mais simpática do Brasil quando, por exemplo, alguém de fora pedia informações.

Péssimas respostas de pessoas que tentaram encontrar justificativas para relevar um problema de uma cidade que, assim como todas, não é perfeita e tem defeito SIM. E digo mais: a cidade poderia ser melhor se as pessoas tivessem senso crítico e soubessem que nem todas as críticas são feitas por uma inveja muitas vezes inexistente.

Outro exemplo foi presenciado por mim. Faço parte de um fansite e ano passado a equipe recebeu críticas por conta das traduções. Nem tanto pela tradução em si, mas pelos erros de português contidos nas postagens. Conversei com a equipe e uma das antigas integrantes dizia que a tradução estava ótima, que era inveja. NÃO era inveja, era uma crítica que apesar de feita com maldade podia sim servir para melhorarmos nosso trabalho. Apesar da grosseria da crítica, havia uma verdade que não podia ser ignorada apenas por nos ofendermos.

Não estou dizendo que devam aceitar todas as críticas que virão, até porque estou ciente de que hoje em dia muitas pessoas agridem gratuitamente acreditando que estão sendo críticos. Já falei um pouco sobre isso no texto “Respeito é bom e todo mundo gosta”, que pode ser lido aqui. Mas considero importante que as pessoas aprendam a filtrar as coisas positivas que podem tirar de uma crítica, mesmo que essa não tenha sido feita com a intenção de ser construtiva. Saber realizar essa filtragem pode ser vantajoso e inclusive uma forma de revidar com elegância àqueles que fizeram críticas maldosas.

Quer bancar o superior? Então não se coloque num pedestal achando que é imune a erros, tampouco ache que aceitar as suas falhas é dar o braço a torcer e bancar o burro. Burrice é ignorar o que pode te tornar melhor e trazer melhorias para o seu ambiente.

Respeito é bom e todo mundo gosta

9 Feb

Por: Zero

Não é novidade que os valores da sociedade estão desacertados. Desacertados sim, como sempre estiveram, afinal, não podemos dizer que todas as pessoas gostem de ser tratadas como lixo. É um desajuste que vem de séculos, milênios, na verdade, mas antes havia a desculpa da falta de educação. Não apenas por parte da população não ter acesso a escolas, mas também porque os pais criavam seus filhos para serem escravos capazes de suportar a miséria. A diferença é que hoje os filhos são criados para terem todos os seus caprichos realizados.

O resultado disso? Uma ignorância e intolerância sem tamanho em relação a tudo o que os contraria. Intolerância que tende a se perpetuar, já que as crianças de agora serão os pais de amanhã, pais que nunca se abriram a explorar o conhecimento; pais que nunca se dispuseram a entender os problemas da sociedade e o significado do RESPEITO: para eles isso é normal, o diferente, o errado é ser alguém disposto a tirar o lixo que foi acumulado sob o tapete por tantos conjuntos de 100 anos.

Entendam, não estou generalizando. Apenas compreendo que não teríamos uma situação tão grave na atualidade se a maioria fosse aberta a trabalhar os problemas, a entender o que educação realmente significa (para a maioria, educação é terminar o ensino médio).

E como consequência de anos de ignorância e desinteresse pela educação de fato – aquela que nos torna seres capazes de pensar e ponderar ideias em vez de engolir idéias da igreja ou da mídia sem a menor contestação – temos o desdém e agressividade pelo que é diferente, além da utilização de argumentos absurdos para justificar o injustificável. Vejamos alguns exemplos:

Diferenças musicais

No Facebook é fácil de encontrarmos páginas em que pessoas se reúnem para desdenhar e humilhar pessoas com gostos musicais diferentes daquela pequena maioria.  Um amigo meu uma vez disse: isso é coisa de funkeiro. Não, não é coisa de funkeiro, é coisa de gente intolerante e, por decorrência, ignorante. Não podemos nos apegar a ideia de que existe um mal absoluto para assim justificar a ignorância que vem do lado que apoiamos.

Já vi inúmeras páginas dedicadas a bandas de rock que fazem o mesmo que as páginas de funk. Já vi pessoas de ambos os “lados” irem aos Formsprings, Asks da vida para xingar pessoas apenas porque elas não compartilham de um mesmo gosto musical. E em geral vão fazer isso com pessoas que sequer conhecem.

Há uma dificuldade em aceitar que as pessoas não são obrigadas a ser iguais. Há uma dificuldade em entender que seu gosto não é superior ao de ninguém e por mais que você considere assim (o que é normal, convenhamos), ninguém precisa concordar com isso. E da mesma forma que não gostamos que venham nos agredir gratuitamente por causa do que somos, do que gostamos, não devemos agredir alguém motivado pelo mesmo sentimento.

Respeitar as diferenças mínimas parece ser impossível porque, como eu disse no início do texto, hoje em dia as pessoas são ensinadas que seus caprichos devem ser realizados a qualquer custo. Mesmo que esse capricho seja ver o seu modo de viver sendo a base, o exemplo para todos os seres humanos; e quem não o segue acaba lhe dando o direito de agredir.

Orientação sexual

Heterossexuais (sem generalizar) possuem seus direitos garantidos e não entendem o que é não tê-los. Ou fingem não entender, porque quando a lei não trata de algo que acontece a eles, todos entendem muito bem o que é se sentir injustiçados e desamparados por ela. Ainda assim, a ignorância impede essa maioria de compreender a necessidade que homossexuais sentem de serem amparados por leis que garantam a sua vida social SEM preconceitos, SEM agressões gratuitas.

Todos adoram encher a boca para dizer “a vida é minha e dela cuido eu” quando alguém se mete nos seus hábitos, mas quando se trata de homossexualidade, essa frase, esse direito sobre a sua própria vida não tem valor algum para homossexuais. E com falta de educação, do conhecimento de que amar alguém não é errado, de que viver sua vida com honestidade não quer dizer que você tenha que ser heterossexual, não existe argumento para contestar os movimentos pelos direitos GLBT. Por isso, resta apenas a agressão, ainda que travestida de argumento.

A questão não é homossexuais desejarem dominar o mundo e impor suas vontades aos demais, a questão é querer respeito. O mínimo de respeito que todo ser humano de bem merece. Respeito é algo Básico na vida de alguém. Heterossexuais não vivem a vida de um homossexual, não passam pelas barbaridades que uma pessoa passa apenas por sentir atração por alguém do mesmo sexo. Não sofrem humilhações apenas por isso.

Assim como toda pessoa exige que a justiça seja feita quando alguém fere seus direitos, os homossexuais querem justiça em relação àqueles que ferirem os deles.

O “sexo frágil”

Outro ponto onde a ignorância e a falta de respeito imperam é na diferença dos sexos. E isso parte de ambos os lados: homens e mulheres. Além do já conhecido desmerecimento apenas pela mulher ser mulher que existe desde sempre, existe o contínuo equívoco em relação ao feminismo e à luta pela igualdade entre os sexos. Isso acontece porque, adivinhem, já não basta o homem não respeitar as mulheres… As próprias mulheres não se respeitam.

Não se respeitam quando se rebaixam às idéias machistas, não se respeitam quando ficam cegas pela ignorância que diz que a mulher é merecedora de tudo aquilo de ruim que acontece a ela. E se você pensa assim, mocinha, então desista de achar que é alguém na vida apenas porque faz psicologia e acha que entende tudo o que acontece à sua volta.

Muitas mulheres (conheço casos, por isso afirmo) apoiam o machismo com a afirmação de realmente serem machistas porque “é obrigação do homem sustentar a casa”. Ao mesmo tempo, abominam a ideia de serem tratadas como mulheres frágeis, incapazes de viverem sem um homem. Mas não é esse o conceito do machismo?

A ignorância acompanha a falta de respeito para com a sua força e capacidade de lutar e alcançar seus objetivos por conta própria, assim como a falta de respeito com a sua liberdade (o que inclui escolher suas próprias roupas – independente do bom gosto ou falta dele – sem precisar se preocupar em ser estuprada).

Mulheres não são estupradas porque usam saias curtas ou porque supostamente deram a entender que queriam ficar com o cara. Mulheres são estupradas porque os homens não as respeitam, e isso continua a acontecer porque além de mau caráter, o estuprador é apoiado por mulheres que acham que sim, ele tinha todo o direito de fazer o que bem entendia com o corpo de outra pessoa apenas porque essa pessoa estava usando a roupa que queria.

Impor os gostos e preferências aos outros, de mandar e viver a vida dos outros é o que se ensina hoje em dia, as pessoas já não sabem que opinar é diferente de agredir.E toda a lógica do respeito passa de simples a impossível de entender para mentes fechadas demais, porque hoje em dia discordar de um assunto significa que você deve firmar a superioridade da sua ideia sobre a outra, mesmo que seja através da agressão.

É por isso que deixo aqui a minha proposta para que todos passem a pensar naquele velho ditado: “Não faço aos outros o que não quero que façam comigo” e levem isso para a vida. Quem tem respeito pelas coisas é quem tem educação, e não quem termina a escola, cursa a faculdade, é formado e acha que é um ser educado e, portanto, superior etc.

É uma forma simples de tornarmos essa sociedade um pouco mais habitável. Aliás, isso é o mínimo que devemos fazer.

Sobre a ‘inocente brincadeira’ na propaganda dos produtos da Cadiveu

19 Jan

Por: Pammy

Venho me manifestar sobre a repercussão de uma propaganda de uma marca de produtos para cabelo. Segue o link com o assunto para que vocês possam tirar as próprias conclusões antes de ler a minha.

Ouvi piadas e ‘brincadeirinhas’ a minha infância inteira por ter cabelo de ‘Bombril’ numa escola cheia de menininhas de cabelo liso e com franja. Isso deixa marcas na autoestima e causa sofrimento. E ninguém tem o direito de julgar e banalizar o sofrimento alheio.
O que passei com o meu cabelo, só eu sei. Os apelidos que recebi e os olhares que me ridicularizavam deixaram marcas em mim. Essas marcas são similares a tantas outras pessoas. E é assim que se aprende a respeitar a individualidade das pessoas.

Eu chorava muito, tinha vergonha de usar cabelo solto, tanto que minha mãe começou a me levar ao salão desde os 9 anos pra alisar o cabelo. Ser uma criança crespa num mundo de bonecas louras e de cabelos escorridos e esvoaçantes é complicado, é difícil. Usei cabelo liso dos nove aos vinte e poucos anos. Usei franja curta, longa, desfiada do jeito que eu queria e sempre sonhei. Tudo pra me encaixar num padrão que não era meu. Como a maioria das pessoas de cabelo crespo eu tenho muito cabelo e com muito volume, eu chegava a passar 7h pra fazer as químicas no salão e ao menos 2h em casa secando e passando chapinha: não era fácil ter cabelo liso. Ano passado dei um basta nisso: fiquei desempregada e decidi que era a hora certa de parar de gastar dinheiro à toa e cortei a progressiva. Fiquei 5 meses sem fazer nada nele, só usando ele preso já que a raíz do meu cabelo estava crespa e o restante do meu longo cabelo liso. Até que criei coragem e cortei curto. Livrei-me do peso, do preço e do trabalho que é manter um cabelo liso dos padrões que você vê na TV, propagandas, etc.

Minhas conclusões sobre o meu feito: nunca me senti mais livre! É tão bom acordar e saber que você não tem que se preocupar com chuva, com secador e chapinha, que não tem que se lembrar de marcar horário no salão para retocar raiz, que não precisa jogar rios de dinheiro na cara da sua cabeleireira. Mas ao mesmo tempo em que me sinto livre eu me sinto ‘diferente’ do resto das pessoas, porque ainda acham que cabelo crespo é feio, que é estranho, que é difícil. MAS QUE CABELO QUE NÃO É DIFÍCIL? Quem tem que secar e alisar o cabelo todo dia também sofre. Quem tem cabelo fino que faz nó com facilidade também sofre. O preconceito contra o cabelo crespo é velado e vemos isso claramente nos comentários. Aposto que a maioria das pessoas que comentaram que é ‘mimimi’ e ‘falta de louça pra lavar’ faz inúmeras coisas no cabelo SIM e não percebe que é tão vítima dos padrões quanto as pessoas que assumem seu blackpower.
Não julgue se você nunca passou por isso. É muito fácil falar que é ‘mimimi’ e ‘patrulha do politicamente correto’ sem ter um pingo de sensibilidade para com outros. Se eu pudesse ter escolhido nascer com cabelo liso eu nasceria, só pra não ter que ouvir e VER piadinhas sendo perpetuadas diariamente na sociedade.

Não estou demonizando o ato de alisar o cabelo. Isso é uma questão pessoal e talvez se eu nunca tivesse passado por dificuldades financeiras ainda estivesse utilizando destes métodos.

Você faz se você quer e se você gosta. A questão é a imposição social que está indiscutivelmente implícita na propaganda: eu PRECISO de Cadiveu. Como se ter uma cabelo blackpower (que é uma opção de estilo da mesma maneira que ter fios lisos) fosse algo terrível e odiável. Que é necessário esticar os fios de quem tenha esse tipo de cabelo.

A propaganda não teria problemas caso trocassem o “PRECISO” por “QUERO” e se utilizassem diferentes modelos de cabelo e de core, como cacheados louros, ondulados ruivos etc.

A propaganda deste e de outros tantos produtos para cabelo deveriam propor a mudança e a escolha entre ter meu cabelo afro ou alisar em vez de dizer ou impor o tratamento por não concordar com a minha escolha, por me achar feia já que não me enquadro nos padrões de uma sociedade perversa e consumista. Porque isso é uma tática de marketing que visa lucros. O quanto não lucram essas empresas de produtos capilares anualmente? E lucram fazendo mulheres acreditarem que o cabelo delas não é bonito o suficiente, como se eles tivessem que ser sempre iguais e impecáveis.

Sejamos ativos na luta contra QUALQUER forma de propaganda desrespeitosa para com a incrível diversidade humana. Chega de propagandas falando mal de gordos, de pessoas com cabelo volumoso e crespo, entre outras situações que vemos diariamente.

__________________________

A empresa publicou hoje 1 nota de esclarecimento sobre a propaganda e sua repercussão. Veja aqui.

Sobre o texto “Viagem com babás” de Valéria Rios

18 Jan


Por: Pammy

O texto em questão foi publicado no blog da advogada mineira Valéria Rios e foi apagado no dia de ontem (17/01/2013) devido a repercussão negativa, mas ele foi copiado por 1 leitor e disponibilizo o link aqui. A matéria foi copiada diretamente do blog, os erros ortográficos são cometidos pela própria autora, letrada, graduada e de classe média alta.

Leiam com senso crítico. Leiam e analisem.

Eis aqui as minhas considerações sobre esse polêmico e triste texto:

Sendo eu filha de mãe solteira e empregada doméstica realmente não me surpreendo com esse tipo de pensamento exemplificado (?) pela autora e dona do blog em questão. Minha mãe, como outros milhões de profissionais domésticos (faxineiros, babás, motoristas, jardineiros, cozinheiros) já sentiram e sentem na pele o que é ser tratado como ‘item de terceira necessidade’. O que me surpreende e enoja são pessoas, aparentemente muito esclarecidas e estudadas, que acham que isso é absolutamente normal e que não há nada de errado em tratar empregados do lar desta maneira provinciana.

Imagine essa situação num contexto diferente: uma empresa X de mercado Y com profissionais graduados Z. Se o empregador (veja como a nomenclatura de quem paga o salário mudam de acordo com a sua classe social) propõe uma viagem de trabalho a um de seus funcionários e não o hospeda corretamente visando sua privacidade, não fornece ou paga por sua alimentação ou não disponibiliza meios para que ele o faça e não pague as horas extras (porque viagens contam como hora extra), o que aconteceria? Como reagiria esse profissional?

Ele alegaria que não poderia reclamar, pois ‘ganhou’ uma viagem da sua empresa, não pagou passagens aéreas e hospedagem, ‘comeu’ de graça? COM CERTEZA NÃO!  A viagem é uma proposta do empregador e o empregado, geralmente, tem a opção de aceitá-la ou não, mas isso não dá o direito de que as leis trabalhistas e bom-senso para com o ser humano sejam desrespeitadas.  Não é porque a viagem foi paga por terceiros que o empregado está levando vantagens. Ele está lá trabalhando! Agora porque um empregado doméstico não é tratado do mesmo jeito que um empregado de ‘escritório’ por exemplo?

Muitos (e isso me dói) respondem: porque eles não são profissionais graduados, eles não estudaram pra isso etc.

Esse tipo de resposta só mostra e reforça o pensamento provinciano que a maioria dos brasileiros têm e como os seres humanos gostam de sentir e pensar que são superiores uns aos outros de alguma maneira. Diploma universitário NUNCA definiu caráter e competência profissional. Você, sua tia e eu, com certeza, conhecemos exemplos de profissionais altamente gabaritados, com diploma das melhores instituições e que são umas completas merdas na vida profissional. Então porque eu, que tenho ‘diploma’ e trabalho na Contabilidade da empresa X tenho que ser melhor tratado que o Zé que é motorista, ou melhor tratada que a Maria que é da faxina? Agora qual a diferença entre um contábil e uma babá diante da lei trabalhista? Nenhuma. Tirando as legislações específicas de cada profissão, o que eu tenho direito, a babá, o motorista, a faxineira também têm.

“A empregada doméstica no Brasil não é uma trabalhadora com todos os direitos respeitados, é, antes de tudo, uma serviçal, que numa viagem familiar, por exemplo, deve estar inteiramente disponível e ainda agradecer por ter tido a oportunidade de viajar.” – Blogueiras Feministas.


Essa é a visão da maior parte das pessoas.  O empregador acha que qualquer migalha que dá a mais para o empregado doméstico é um favor, que deve ser lembrado, reverenciado e agradecido para sempre. Que a sobra de jantar que ele PERMITIU levar é um luxo e que ela deveria se sentir feliz por isso. Que o vaso que ela quebrou na hora da limpeza vale muito mais do que a dignidade dela e por isso ela deve ouvir sermões e ameaças de desconto na folha de pagamento e demissão.

O trabalho doméstico como atividade remunerada, profissão, é desvalorizado socialmente. Concentra uma série de aspectos excludentes, como baixa remuneração, longa jornada de trabalho, na qual quase sempre não é devidamente remunerada, e em pleno século XXI, há ilegalidades na contratação.

Os domésticos trabalham muito mais que 8 horas diárias, não recebem hora-extra pelo excedente, muito menos banco de horas, raramente recebem vale-transporte e alimentação, tendo que esperar pela ‘caridade’ do patrão para poder comer dignamente no emprego (caso não levem de casa, claro). Plano de saúde é praticamente uma piada, tão engraçada quanto a piada do registro em carteira.

Muitos têm funcionários por status e não porque realmente podem bancar esse tipo de despesa. Se uma empresa não pode contratar um funcionário X ele não contrata e pronto. Ela não emprega um ser humano para pagar o salário abaixo da média só para fazer bonito para a concorrência. Se vocês não estão dispostos financeiramente para pagar um funcionário doméstico com TODOS os direitos que a lei lhe assegura, não contrate. Seja uma mãe/pai à moda antiga e se desdobre em mil para conciliar trabalho e filhos.

Gostaria de propor a todos que concordam com o tipo de tratamento dado pela senhora dona da postagem ‘Viagem com babás’ para com a sua funcionária que tentem se colocar no lugar de um funcionário doméstico. Parece atividade infantil, mas é isso que anda faltando na sociedade moderna: o bom e velho ‘se colocar no lugar do outro’.

Os funcionários domésticos cuidam dos seus bens mais preciosos, tais como: família, filhos, casa e carro. Vocês, empregadores, deveriam tratá-los como membros da família, e não estou dizendo isso no sentindo piegas e hipócrita da expressão, estou dizendo que vocês devem tratá-los com respeito, o mesmo respeito que vocês têm com os seus familiares. Respeito, bom-senso e zelo. Não sou hipócrita ao sugerir que os trate com carinho, porque carinho não se vende ou compra. Tratar o funcionário da mesma maneira que você é tratado no seu trabalho ou até melhor, tratar da maneira que VOCÊ gostaria de ser tratado.
Espero que reflitam sobre o papel que temos na sociedade, como agentes formadores e perpetuadores de opinião e comportamento: que disseminem o que é certo. Que saibam diferenciar o que é ‘direito’ e o que é ‘privilégio’. Que saibam quem tira vantagem: se é o empregador que viaja quando quer ou o empregado que viaja só quando é convidado por ser necessário.

Esse pensamento ‘classe-média-sofredora’ já é ultrapassado e atinge todos os setores da nossa vida, e muitos já notam e percebem como ele esta presente no cotidiano da nossa sociedade.

____________________________________________________

Deixo aqui dicas de leituras sobre “Viagem com babás”: Link 1, Link 2, Link 3.

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.